início de tudo
Era quase hora do almoço, Heitor saiu de sua empresa, após uma reunião caótica de trabalho, mas aquilo não o irritava, amava seu trabalho e aquela empresa que seu pai havia dado a ele e, cuidava com muito amor e responsabilidade, o pai de Heitor era um homem muito esforçado e de muito caráter, a maior inspiração para Heitor.
— Marcos, vou para casa, terminarei o que tenho pra fazer no dia de hoje de casa mesmo. — Heitor disse ao motorista, que assentiu e entrou no carro, Heitor fez o mesmo, mas no banco t******o, enquanto olhava algo aleatório em seu celular, ainda sim seu semblante mostrava o cansaço.
— uma manhã complicada, senhor?
— um pouco, o ramo da construção é meio complicado as vezes, principalmente por que lidamos com várias opiniões, o que as vezes dificulta o processo, o cliente quer uma coisa, o arquiteto com seu estudo quer outra e engenheiro também, e no fim, todos temos que entrar em um consenso para entregar a obra que atenda o pedido do cliente. — disse ele, o motorista assentiu e continuou com sua função.
Aquela manhã para Julia, foi de muita reflexão, enquanto trabalhava, vez ou outra ela olhava a marca roxa em seu pulso, feita por seu namorado Davi, um homem agressivo e instável emocionalmente, era claro que ali não havia amor, como poderia amar alguém que tanto a maltratava? era medo, a muito tempo era apenas isso, com isso em mente, ela decidiu que era melhor terminar aquele relacionamento abusivo. Era hora do almoço, Julia havia sido liberada por seu chefe para fazer sua refeição, ela trabalhava como vendedora em uma loja de livros, gostava de seu trabalho, era agradável e calmo, também por que era uma leitora assídua e sempre que podia dava uma folheada nos livros expostos. Julia pegou seu celular, o colocou dentro da bolsa e se dirigiu a saída da loja, pensava que teria um almoço calmo, onde pensaria em como terminar com Davi sem mais brigas e agressões, o que não ocorreu, pois e frente a loja, ele a esperava.
— Davi, o que faz aqui? — ela questionou um tanto surpresa e também assustada.
— vim te levar pra almoçar. — disse ele, como se na noite anterior não houvesse sido extremamente agressivo.
— não precisa, eu vou sozinha. — disse ela dando alguns passos para trás.
— qual é Júlia, se é por conta do que fiz ontem, já passou.
— passou Davi...pra quem? Você me agrediu mais uma vez, me deixou marcas.
— você também não colabora.
— você que não tem controle, era só um livro, nem mesmo posso ler agora? — ela questionou um tanto irritada.
— um livro cheio de coisas ob‘sce’nаs.
— eu sou uma mulher adulta, qual o problema? — ela disse alterando a voz, então ele a agarrou pelo braço com ainda mais força do que costumava fazer. — Davi...me solta, está me machucando. — ela clamou entre dentes.
— o tipo de livro que uma pu'tа leria, acha normal a forma a qual foi descrita o p'аu do cara naquele livro? — ele gritou a deixando ainda mais assustada.
— chega Davi, eu não vou mais aguentar isso, acabou, quero terminar. — disse ela sentindo a dor se espalhar por todo seu braço, sentia que ele poderia quebrá-lo a qualquer instante, só precisava de um pouco mais de força.
— você não vai terminar comigo, eu não vou permitir.
— isso não é uma escolha só sua, agora me solta. — ela pediu com lagrimas nos olhos, então sentiu seu corpo ser empurrado com força contra a parede da loja, fazendo o ar faltar em seus pulmões e visão escurecer, naquele instante ela começou a achar que não havia sido uma boa ideia terminar o namoro naquele momento, em uma rua pouco movimentada, onde ele poderia agredi-la até a morte, mas por sorte, seu salvador estava a caminho. Heitor seguia a caminho de casa, o motorista sempre pegava aquele caminho, por ser uma rua pouco movimentada, Heitor sabia que Júlia, melhor amiga de sua filha Jade trabalhava por ali, mas não esperava vê-la naquela triste situação.
— ah Deus, Marcos, pare o carro, aquela é Julia e aquele cara está a agredindo. — Heitor disse apressado ao ver aquela cena pela janela do carro, Marcos fez como o pedido, nem mesmo se importou de estar parando o carro no meio da rua, ajudar Julia naquele momento era o mais importante. Heitor saiu do carro quase correndo e foi até Julia, Davi a sacodia pelos braços, havia um pouco de sangue em sua b**a e ela estava claramente sem forças, já não reagia a nada mais, apenas g***a de dor. — seu des'grаçаdo, a solte. — Heitor pediu em um tom alto e autoritário.
— não se meta. — Heitor muito irritado, agarrou Davi pela camisa o retirando de cima de Júlia e, o acertou um soco o fazendo cair no chão, vendo ela caída, Heitor foi até Júlia olhando os braços vermelhos e a b**a sangrando, os esmatomas pelo corpo, então a abraçou na tentativa de acalmá-la.
— Ju...está tudo bem agora. — ele disse de forma acolhedora, mas então Davi o agarrou pela camisa o fazendo levantar, mas antes que pudesse acertar um soco em Heitor, Marcos o motorista, acertou um soco no nariz de Davi, que mais uma vez o fez cair no chão, desta vez com o nariz sangrando.
— o que foi? Não se garante com homem, apenas com mulher? — Marcos disse, em seguida deu um chute na barriga dele que o fez cuspir sangue, em meio a isso, Heitor ajudou Júlia a levantar, em seguida a abraçou.
— não se preocupe Júlia, estou aqui. — Heitor disse, Davi, vendo aquela cena, se revoltou.
— quem é esse homem Júlia? — ele questionou, Davi era um homem ciumento e obviamente imaginou coisas erradas, mas Júlia e Heitor estavam preocupados demais com a situação para tentar aclarar aquilo. — que ótimo, vai se fu'der junto com o seu amante, por isso queria terminar. — disse ele se levantando do chão.
— vamos Marcos, precisamos tirar Júlia daqui. — disse Heitor, então os três seguiram em direção ao carro que seguia parado no meio da rua e entraram no mesmo. — Júlia...aquele é seu namorado? — Heitor questionou de forma compreensiva, enquanto tentava arrumar o cabelo desgrenhado dela, ela em lagrimas tratou de responder.
— era, terminei...ele me maltratava, me agredia, não aguentava mais, não podia mais. — ela contou em lagrimas.
— Júlia, quando isso começou?
— a mais de um ano...
— por que não contou a mim ou a Jade? teríamos ajudado você. — Heitor disse aflito imaginando tudo que ela já havia passado nas mãos daquele louco.
— eu não queria incomodar. — ela disse o olhando nos olhos, ele vendo o sangue escorrer no canto da b**a de Júlia, tirou um lenço do bolso e limpou o rosto dela com extremo cuidado, em seguida a acomodou em seus braços em um abraço reconfortante, onde ela terminou de desabafar seu medo e frustração em meio a lagrimas, Heitor, muito tocado com situação, a acariciou os cabelos, tentando a acalmar, mas parecia impossível.
O carro seguia seu caminho, em direção a mansão de Heitor, Júlia nem mesmo havia se dado conta, estava aproveitando o consolo que aqueles braços lhe davam, sentia-se tão protegida, proteção, era essa uma das muitas sensações que Heitor a transmitia, uma das muitas em meio a atração que Júlia sentia por ele, atração essa que havia começado quando ela tinha apenas quinze anos, de início parecia apenas admiração, desejo de ter um pai presente, um pai maravilhoso assim como Heitor era para Jade, sua melhor amiga, mas aos poucos, ela começou a notar que ia muito além disso, ela o desejava, se perdia admirando aquele másculo e atrativo homem, imaginando em tê-lo um dia, mas Júlia se julgava por isso, ele era mais velho, pai de sua melhor amiga e na época, casado, este foi um dos motivos que fez Júlia parar de ir com tanta frequência a casa de Jade e Heitor, a incontrolável atração que tinha por ele e que a todo custo ela escondia pois o achava impossível, inalcançável.
O imponente portão da casa de Heitor se abriu, Júlia seguia agarrado a ele, ele em momento nenhum a afastou, sabia que depois daquele terrível acontecimento, tudo que ela mais precisava era apoio, e ele estava disposto a cuidar da melhor amiga de sua filha.
— Júlia, chegamos. — ele sussurrou, ela abriu os olhos, então olhou pela janela, vendo a casa dele.
— senhor Heitor, por que me trouxe pra sua casa?
— para lhe ajudar, você precisa se acalmar, Jade deve estar em casa, vai ser bom pra você estar com ela. — ele disse forma compreensiva, ela apenas assentiu, então ele abriu a porta e saiu, em seguida ela saiu também. — seu rosto está inchado, venha, você precisa colocar um gelo nisso. — Heitor a guiou para o interior da casa, a deixou sentada no sofá da sala e foi até a cozinha em busca de gelo, lá, foi informado de que Jade havia saído com o namorado, então ele retornou a sala, se sua filha não estava ali, seria ele o responsável a prestar todo apoio a Júlia, até que ela chegasse e isso não era grande esforço, tinha muito carinho por Júlia.— Jade não está em casa, saiu com Benicio.
— tudo bem, eu vou para casa então. — ela disse já se levantado, mas Heitor segurou a mão dela com cuidado e compreensão.
— não seja b**a Ju, sente aí, deixe-me colocar gelo nesses machucados.
— senhor Heitor, não precisa, você deve ter coisas muito importantes para fazer, já agradeço demais o que fez por mim.
— fiz apenas minha obrigação, e não, no momento não tenho nada mais importante do que cuidar da melhor amiga da minha filha, Ju, você é da família. — disse ele com um sorriso acolhedor nos lábios, então levou a mão até o rosto dela e tocou o l***o, havia tomado um tom vermelho arroxeado e estava inchado. — está doendo?
— um pouco. — ela disse um tanto desconcertada, ele a deixava assim apenas por existir e estando ali, a seu lado, lhe tocando com tanto cuidado e carinho, fez aquela chama reacender. Heitor pegou um cubo de gelo, lentamente começou a deslizar sobre o l***o dela, e assim fez até que derreteu por completo.
— ele sempre foi assim, sempre te agrediu? — ele perguntou.
— não, ele sempre foi muito ciumento, mas no início não me agredia, de um ano pra cá ele ficou muito agressivo, e o fim da picada pra mim, foi ontem a noite, quando ele torceu meu pulso por conta de um livro que eu estava lendo, então decidi que o melhor era terminar.
— por conta de um livro? O que havia nesse livro? — ele questionou um tanto perplexo, não entrava em sua cabeça que um livro pudesse causar tal reação.
— descrições profundas de um homem. — ela disse um tanto envergonhada, Heitor balançou a cabeça em negação e disse.
— ele fez por pura maldade, essas pessoas são assim mesmo, buscam pretextos para agredir, se tivesse nos contado que isso estava acontecendo, teríamos te ajudado.
— eu não queria incomodar, o senhor é um homem ocupado, Jade já tem suas questões e ela está tão feliz com o namorado, não acho justo que meus problemas interfiram nisso.
— a quatro anos atrás você também tinha seus problemas, suas questões, ainda sim, esteve ao lado de Jade, quando ela estava sofrendo por conta do divórcio, sou eternamente grato, você é uma pessoa incrível Júlia, eu e Jade teríamos feito de tudo que fosse possível para ajuda-la. — ele disse de forma doce e compreensiva, o que fez Júlia mais uma vez desabar em lágrimas, então ele a abraçou, a acomodando em seu braços com o rosto escondido contra seu pei'to, Júlia sempre ficava muito emotiva com demonstrações de carinho, sua irmã, apesar de ter dado a vida para cuidar de Júlia, trabalhava como enfermeira e para dar conta das despesas da casa, fazia longos plantões, com isso, sendo bem ausente. — Ju, não chore, agora está tudo bem.
— pai...Júlia, está tudo bem? — Jade questionou ao passar pela porta de entrada, vendo seu pai abraçando sua melhor amiga aos prantos, Júlia se afastou de Heitor e direcionou seu olhar a Jade, que pode ver os hematomas no rosto da amiga. — aí meus Deus Ju...o que houve com seu rosto? — Jade questionou aflita, Júlia apenas soluçou.
— foi o des'grаçаdo do ex dela, o peguei a agredindo em frente a loja que Júlia trabalha. — Heitor contou, vendo que Júlia não conseguiria contar, então Jade sentou no sofá junto a eles e a abraçou.
— amiga, eu sinto muito, como você está? Olha isso, seu rosto...— Jade disse com lágrimas nos olhos, Júlia era como uma irmã para ela e vê-la sofrendo, a fazia sofrer também. — vai ficar tudo bem agora. — Jade sussurrou enquanto a abraçava.
momento de meninas
Júlia seguiu junto a Jade para o quarto dela, ela estava preocupada com a amiga, que seguia nervosa, precisava acalmá-la, cuidar dela depois daquele terrível acontecido.
— Jade, eu preciso ir, tenho que voltar ao trabalho. — Júlia disse.
— óbvio que não Júlia, imagina se aquele des'grаçаdo aparece lá de novo, e você está machucada, precisa descansar e se acalmar. — Júlia suspirou, então assentiu com a cabeça e sentou-se na cama, Jade tinha razão, Júlia precisava descansar, estava exausta fisicamente e mentalmente também.
— se arrependimento matasse...me entreguei a ele sabe. — Júlia disse com lágrimas nos olhos.
— não pensa mais naquele des'grаçаdo, que tal dormir aqui hoje? Uma noite de meninas igual costumávamos fazer. — disse Jade na tentativa de animar a amiga.
— Jade, melhor ir pra casa.
— sua irmã ao menos está em casa? — Jade questionou preocupada.
— não, ela só volta amanhã a noite, está de plantão.
— então vai ficar aqui hoje, é você que está passando por um momento ruim, mas se você for, sou eu que vou ficar mal, tenho medo que aquele traste vá até sua casa e te faça algo, sabe que não sei viver sem você, talvez isso pareça meio egoísta.
— não é egoista, sei do carinho que você tem por mim e agradeço todos os dias por ter alguém como você, tudo bem, eu fico.
Era início de noite, quando Jade saiu do quarto, após uma longa conversa, Julia havia adormecido, então Jade decidiu buscar com seu pai, ele era seu porto seguro, com quem sempre desabafava, e aquela situação havia a deixado muito triste.
— pai, está ocupado? — ela questionou ao passar pela porta do escritório.
— não, fique a vontade filha, e Júlia, como está? — ele perguntou de forma preocupada.
— acabou dormindo, está tão abalada, ainda bem que o senhor chegou a tempo, me dói na alma que Júlia tenha passado por isso, ela é uma garota tão incrível, não merecia passar por isso, nenhuma garota merece.
— também me dói, pobrezinha, tão desamparada.
— hoje ela vai dormir aqui, tá pai?
— tudo bem querida, fazia bastante tempo que ela não dormia por aqui.
— pois é, mas eu imagino um dos motivos, minha detestava ela, não sei por que, Júlia é uma garota tão boa, minha mãe que é uma sem prestigio. — disse Jade revirando os olhos, a relação com sua mãe era péssima.
— Jade, não fale assim, ela é sua mãe e deve respeito a ela, mas eu sei o motivo da sua mãe não gostar da Júlia.
— Qual?
— ela tinha ciúme, dizia que Júlia me olhava diferente e bla, bla, bla, vê se pode, Júlia era só uma menina na época, ainda é.
— por que não me contou isso antes pai? — Jade perguntou um tanto surpresa.
— querida, não valia a pena, em primeiro, sua mãe é louca, segundo, jamais olhei Júlia com outros olhos, pra mim ela era e continua sendo uma menina, assim como você, terceiro, não queria lhe levar problemas e causar mau estar com sua mãe, e quarto, sua mãe é louca. — ele repetiu e Jade riu.
— nem precisou, ela mesma causou mal estar em toda família quando decidiu se envolver com seu primo, mas pai, será que Júlia sabia desse ciúmes?
— acredito que não, eu nunca disse nada, penso que ela se afastou por que sua mãe sempre a tratava mal, depois ela começou a trabalhar, entrou na faculdade, tempo corrido, ela é uma garota muito focada e esforçada, por mim Júlia sempre será muiro bem vinda em nossa casa, faço muita questão da amizade vocês.
Naquela noite, Jade e Júlia tiveram uma noite de meninas bem divertida, comeram sorvete, chocolate, dentre outras guloseimas, assistiram a série favorita, conversaram sobre seus interesses e perspectivas para o futuro.
— senti falta disso. — disse Júlia, então Jade lembrou-se da conversa com seu pai horas mais cedo.
— eu também, Júlia, por que se afastou daqui? — questionou, queria confirmar o que havia conversado com seu pai mais cedo.
— Jade, nossa amizade é a mesma desde sempre. — Júlia disse na tentativa de fugir daquela pergunta.
— sim, nossa amizade segue forte, mas você sempre vinha pra cá, dormia noites e noites aqui, era praticamente de casa e depois passou a se recusar vir pra cá.
— sua mãe não gostava de mim...— disse Júlia, mas tinha outro motivo, a atração que sentia por Heitor, então pensando que aquele desejo acabaria caso não o visse, ela se afastou, tentou a todo custo colocar em sua cabeça que não poderia sentir aquilo, mas nada sortiu efeito.
— então esse foi realmente o motivo.
— ela me tratava mal, seu pai brigava com ela por isso, eu não queria causar brigas, vocês eram família e eu não queria causar problemas.
— eu entendo, Júlia...
— fala.
— não ouse mais fazer isso.
— o que? — ela questionou.
— ficar tão longe.
— talvez só um pouco. — ela disse sem graça.
— vа'diа safada. — disse Jade e as duas riram.
— mas tô falando sério, são tantas coisas, trabalho, faculdade de medicina, está complicado dar conta de tudo, e não posso descuidar de nada, se minhas notas caírem, perco a bolsa de estudos, se descuido do trabalho, o perco também e ficarei endividada e todas as contas cairiam sobre Juliana de novo.
— se me deixasse te ajudar...
— Jade, eu dou conta, tenho que fazer as coisas por mim mesma, e não ache que sou orgulhosa, não é isso, até por que adoro quando me dá presente e quando me dá sua atenção, assim como está fazendo agora, mas não posso depender você, tenho que conseguir as coisas por mim mesma, montar minha vida, é pesado, não nego, mais dou conta.
— entendo, mas saiba que estou aqui para o que precisar.
— eu sei que sim e te amo por isso.
— tenho tanto orgulho de você. — disse Jade, em seguida abraçou a amiga.
Era quase uma hora da madrugada, Jade dormia tranquilamente, mas Júlia, não havia conseguido pregar o olho, estava preocupada e tinha medo de que seu ex desse um jeito de se aproximar e, isso estava lhe tirando o sono, então decidiu levantar e, tomar um copo de água, cuidadosamente para não acordar Jade que dormia a seu lado, Júlia levantou-se, lentamente caminhou até a porta e logo passou pela mesma, o corredor estava escuro, assim como todo o restante da casa, apenas uma luz ou outra iluminava o ambiente, o que não o tornava totalmente claro, mas tornava visível. Júlia desceu a escada com cuidado, ao chegar na sala, se deparou com uma luz que vinha de uma fresta da porta do escritório, pois estava entreaberta, como tudo estava silencioso, Júlia imaginou que alguém havia esquecido a luz ligada e a porta daquela forma, ela se aproximou, como estava descalça, não emitia barulho algum, mas um barulho vindo daquele ambiente a deixou perplexa, um g****o masculino, ela podia reconhecer, era a voz de Heitor, então se aproximou ainda mais e pela brecha na porta pôde vê-lo, ele estava sentado no sofá, com a calça um pouco abaixada, ele segurava seu m****o com firmeza e movimentava a mão lentamente em um sobe e desce ritmado, a b**a de Júlia se abriu, estava chocada com a visão, ao mesmo tempo, excitada, era tão grande e g****o, lhe parecia tão apetitoso que sua b**a chegou a salivar de tanto desejo, Júlia mordeu o l***o inferior, instintivamente sua mão deslizou até seu sei'o e apertou, ela quase g***u, mas se controlou, não podia deixar que ele percebesse, mas também não podia sair dali, deixando de assistir aquele delicioso homem se dando prazer, lhe proporcionando uma lembrança que ela sabia que lhe marcaria para sempre, então enquanto ele se tocava, Júlia imaginava sua b**a no m****o dele, enquanto isso, sua mão a********a o sei'o e apertava o bico levemente, sua i********e já molhada, pulsava de tanta excitação, mas o ponto alto veio quando Heitor g***u, liberando três jatos fortes, e um g****o que fez a pele dela arrepiar por inteiro, Júlia havia fantasiado tanto, que quando viu, sua i********e se contraiu, suas pernas tremeram, sua respiração ficou ainda mais acelerada, sua mente foi para longe e, seu corpo relaxou perdendo as forças, havia tido um delicioso org'аsmos, coisa que a tempos não tinha, mesmo tranzando com seu ex, que nunca havia conseguido lhe satisfazer, o que a deixou um tanto surpresa e ainda mais ciente da influência que aquele homem tinha sobre ela, sobre seu corpo e também pensamentos, ele a dominava sem fazer nada, tanto que ela seguia ali, paralisada, mas se viu obrigada a sair quando o viu levantar-se, então ela seguiu seu caminho para a cozinha, onde pretendia tomar um copo de água.
O beijo
Júlia seguiu para a cozinha, seu corpo estava quente, sua mente distante, ainda na deliciosa cena que havia presenciado. Júlia foi até o armário, pegou um copo em seguida pegou uma jarra com água na geladeira e o preencheu, tomando um generoso gole, na ideia de aquilo acalmasse aquela chama ardente que havia despertado dentro de si, mas a água do copo acabou saciando sua sede, mas aquele calor permaneceu, Julia levou a jarra de volta a geladeira e caminhou em direção a pia para colocar o copo, mas aquela voz firme e sedutora surgiu ali.
— Júlia...— ela que não o esperava ver ali, se assustou e deixou o copo cair o fazendo se estilhaçar.
— Heitor...aí meu Deus. — ela rapidamente agachou, na tentativa de recolher os cacos, mas tudo que conseguiu foi cortar o dedo.
— Júlia, você se cortou.
— desculpe...eu, eu acabei me assustando. — ela disse um tanto desconcertada, então ele se aproximou e a retirou de perto dos cacos de vidro, tratando logo de verificar aquele ferimento.
— tudo bem Júlia, acontece, parece que não foi profundo, mas é bom limpar, está doendo? — ele perguntou enquanto a********a o rosto dela, ela estava completamente fora de si, apenas encarava os lábios dele, sem dizer uma única palavra. — Júlia, está tudo bem? — Heitor questionou, estava estranhando a forma a qual ela estava agindo, a forma a qual ela o encarava, a única reação que Júlia teve, foi ceder ao desejo, então ela ficou na ponta dos dedos, o segurou pela nuca e o beijou de forma intensa, Heitor piscou os olhos algumas vezes, mas não se esquivou, ao contrário, se permitiu b****r e retribuiu, a segurando com firmeza pela c*****a, os lábios deslizavam um pelo outro, as línguas se acariciavam, o beijo era delicioso demais para ser encerrado, então se deixaram levar, mas o ar acabou, os afastando, Júlia encarou os olhos dele, vendo a pupila dilatada, os lábios vermelho que se abriram, ousando dizer algo, foi aí que Júlia voltou a si e tomou noção do que havia feito.
— Heitor...senhor Heitor, me desculpe, não sei o que deu em mim, perdão. — ela disse nervosa, então se afastou, mas ele a segurou pela mão a impedindo de pisar nos cacos de vidro, mas com isso apertando o dedo machucado, a fazendo g***r. — aí.
— desculpe, não queria te machucar...Júlia, preciso limpar isso, está sangrando.
— eu limpo, não precisa se preocupar. — disse ela claramente nervosa, temia mais uma vez perder o controle.
— Júlia, eu limpo, vem, tenho uma caixa de primeiros socorros no meu escritório. — Júlia apenas assentiu, então o seguiu até o escritório, ao passar pela porta, ela paralisou, olhando o sofá e o lugar exato que Heitor estava sentado a minutos atrás. — senta. — ele pediu, ela assentiu, então caminhou até o sofá e sentou no mesmo, Heitor por sua vez, foi até o armário, pegou a caixa, caminhou até ela e sentou a seu lado, de dentro da mesma ele retirou algodão que usou para limpar o o dedo dela.
— senhor Heitor, desculpe pelo que fiz...não sei o que deu em mim. — disse ela, mas sabia bem, só não podia e nem tinha coragem de contar.
— tudo bem Júlia, acontece... — disse ele um pouco sem graça.
— não deveria, mas desculpe mesmo.
— Júlia você está passando por um momento difícil, está triste, carente, buscando apoio, você apenas reagiu de uma forma...de uma forma. — disse ele tentando justificar o ocorrido.
— de uma forma errada. — disse ela, então fez uma careta ao sentir um líquido ser colocado sobre o corte.
— ardeu? — ele questionou de forma doce e preocupada.
— sim, um pouco.
— já estou acabando, só falta fazer um curativo. — ela assentiu com a cabeça, então ficou em silêncio até o momento em que ele terminou. — acabei, como se sente?
— pergunta do machucado? — ele acariciou a mão dela com delicadeza e disse.
— de tudo. — ela suspirou, então respondeu.
— cansada, com sono, acabada mentalmente, fisicamente e envergonhada. — ela disse baixando a cabeça.
— é muita coisa, mais vai passar.
— como vou conseguir te olhar depois do que fiz? — ela questionou demonstrando o quão envergonhada estava, suas bochechas estavam até vermelhas.
— com os mesmos olhos de sempre, só vamos esquecer o que aconteceu ok? — ela assentiu com a cabeça e suspirou, ele não fazia ideia que os olhos que ela o olhava a anos, eram de desejo e paixão. — o que fazia na cozinha a essa hora?
— estava sem sono, então decidi tomar uma água, desculpe estar perambulando pela sua casa a essa hora.
— Ju, não seja b**a, você é de casa, e de coração, espero lhe ter mais vezes por aqui, eu e Jade queremos muito lhe ajudar neste momento difícil.
— obrigada, você é um homem incrível, exemplar, por isso Jade é essa amiga tão incrível, uma irmã, o senhor é um exemplo, de tudo. — ela disse demonstrando sua admiração, ele sorriu, então acariciou o rosto dela a fazendo suspirar de forma apaixonada.
— melhor deitar, está bem tarde, mesmo que não consiga dormir, pelo menos estará com o corpo descansado pela manhã.
— tudo bem, obrigada. — Júlia seguiu para o quarto de Jade, já Heitor, ficou no escritório, ele deslizou as mãos pelo cabelo de forma exasperada e suspirou, pensando em porque havia se deixado b****r por Júlia, o beijo havia sido delicioso, não podia negar, mas só isso não lhe servia como justificativa, tinha visto Júlia crescer e ter cedido a tal coisa estava lhe causando certos conflitos, ainda que, na frente dela tivesse agido com naturalidade e compreensão, havia ficado mexido pelo beijo e pela situação.
— ela é só uma menina carente passando por um momento difícil. — disse ele, mas ao levanta-se do sofá na intenção de ir para seu quarto, notou a er'e'ção marcando em sua calça, havia ficado duro pensando naquele beijo, o que o deixou ainda mais desconfortável e preocupado, não queria deixar de vê-la como a melhor amiga de sua filha.
Júlia deitou-se na cama ao lado de Jade que seguia dormindo, então soltou um longo suspiro e levou os dedos até os lábios, os tocando lentamente, aquele beijo havia sido tão intenso que ainda podia sentir os lábios dele ali, tinha sido o beijo mais delicioso de sua vida e se pudesse, repetiria outras mil vezes, mas infelizmente tinha impedimentos "ele me vê como uma garotinha, a melhor amiga da filha" Júlia disse em seus pensamentos, então se resignou e fechou os olhos na tentativa de dormir, mas tudo que lhe surgiu a mente foi a deliciosa imagem dele se masturbando.
um sonho/sonhos destruidos
— Isso Heitor, mais forte. — ela pediu enquanto ele se enterrava por inteiro dentro dela, já havia tido dois deliciosos org'аsmos, e o próximo estava a caminho, fazendo seu corpo estremecer por inteiro e a pele arrepiar.
— quem diria que com essa carinha de menina, era uma putnhа tão delicioso. — disse Heitor, então deu um tapa forte na b***a de Júlia, o que a fez g***r, então aumentou a velocidade das estocadas e em instantes, chegou ao ápice, seu corpo perdeu as forças e ela debruçou na cama, logo ele a virou e foi sobre ela, lhe tomando os lábios em um beijo sedento. — você gosta dos meus b****s, não é?
— sim...— disse ela, então ele abriu as pernas dela e se encaixou ali, mais uma vez a penetrando, a fazendo g***r. — Heitor...
— que delicia, g*****o tão gostoso, estava sedenta por isso, é bom enfim estar nos braços de um homem de verdade, não é?
— sim. — ela sussurrou, logo teve seus lábios tomados em um beijo intenso.
— Júlia, Júlia. — aos poucos a imagem foi ficando distante, assim como a voz dele, então ela acordou, vendo Jade a seu lado, lhe sacudindo. — Júlia, estava tendo um pesadelo.
— an...estava? — ela questionou, ainda estava meio desligada, buscando ao redor vestígios de aquele sonho pudesse ser real.
— sim, estava g*****o e falando umas coisas que não dava pra entender.
— aí meu Deus.
— Júlia, está tudo bem? — Jade questionou um tanto preocupada.
— sim...sim, que horas são? — ela questionou enquanto deslizava as mãos pelos olhos
— quase sete e trinta.
— eu tô atrasada Jade, preciso ir para o trabalho, já perdi metade do dia ontem.
— tudo bem, fica a vontade, o quarto é seu e pode pegar o que quiser no meu guarda roupas.
— obrigada amiga.
Após se arrumar, Júlia pegou sua bolsa, então saiu do quarto de Jade e seguiu pelo corredor, ao descer a escada e chegar a sala, encontrou com Heitor, de imediato suas bochechas ficaram coradas, não só pelo beijo da noite passada, mas também por conta do sonho eró'tico que havia tido com ele e desde então, estava rodeando em sua mente.
— Bom dia Júlia. — disse ele, então reparou no rosto dela, em sua feição envergonhada e riu, sabia que ela estava lembrando do beijo da noite passada.
— bom dia senhor Heitor. — ela disse em um tom baixo.
— como se sente?
— é, bom...estou bem. — disse ela gaguejando, o que o fez rir, era diferente para ele aquela reação, era inocente, despretensiosa, natural, nada parecido com nenhuma mulher que já havia beijado.
— do que está rindo? — ela perguntou.
— nada.
— eu vou indo, já perdi metade do dia ontem no trabalho, não posso perder hoje também. — disse ela.
— eu te levo.
— que...você? — disse ela ainda mais nervosa.
— sim, qual o problema? não é a primeira vez que te dou carona. — disse ele e viu o rosto dela corar ainda mais.
— não precisa, eu me viro, pego um ônibus.
— de jeito nenhum, até parece que vou deixar você ir em um ônibus lotado enquanto estou a disposição.
— não quero incomodar senhor Heitor.
— não é incômodo algum, já está pronta?
— sim, mas...
— sem "mas" não aceito não como resposta.
— tudo bem. — disse ela em rendição.
A caminho do trabalho de Júlia, ela estava em silêncio, balançava o pé sem parar e apertava os dedos, ele estava de olho em tudo aquilo, era claro que estava nervosa, e aquilo elevava seu ego, mesmo que não tivesse a intenção de repetir aquilo, Júlia era a melhor amiga de sua filha e a respeitava muito, além disso, achava Júlia uma garota muito jovem, e nunca havia estado com nenhuma de sua idade. Quando chegaram a livraria a qual Júlia trabalhava, Heitor estacionou o carro, rapidamente desceu do mesmo e antes que pudesse abrir a porta para sair, ele abriu demonstrando seu cavalheirismo, ela sorriu sem graça e agradeceu.
— obrigada e obrigada pela carona, até logo.
— não vou agora. — disse ele.
— não? — ela questionou sem entender.
— vou ficar aqui até que a loja abra e você possa entrar, não vou correr o risco de te deixar aqui e aquele b****a do seu ex aparecer e te agredir novamente. — ela o olhou de forma agradecida e sorriu, estava se sentindo segura.
Na calçada ao lado de Heitor, Julia esperava que o dono da loja chegasse para abri-la, já era um tanto tarde e ela já estava estranhando, mas então, ele surgiu ali e direcionou a Júlia, um olhar desgostoso.
— Júlia, o que faz aqui? — questionou o dono do estabelecimento.
— vim trabalhar senhor Mendes.
— sinto muito Júlia, mas você não trabalha mais aqui. — disse ele sem rodeios.
— o que? mas o que eu fiz? — ela questionou com lágrimas nos olhos, precisava daquele emprego, apesar de ser bolsista na faculdade onde estudava, precisava do salário para arcar com o restante das despesas, como materiais e transporte, também ajudar nas despesas de casa.
— você não fez nada, sempre foi uma ótima funcionária.
— então por que vai demiti-la? — Heitor questionou sem compreender.
— ontem após a confusão aqui em frente, seu namorado veio aqui e destruiu minha loja, quebrou computador, rasgou livros, atirou o que encontrou pelo chão, prestei queixa na polícia, mas a justiça é falha e sei que isso não dará em muita coisa, também sei que se você estiver aqui, ele vai voltar, não posso me dar ao luxo de ter minha loja destruída mais uma vez, sinto muito.
— por favor, eu preciso do emprego. — ela disse com a voz embargada.
— imagino Júlia, mas não posso mesmo.
— Júlia, venha. — disse Heitor de forma compreensiva, então a segurou pelo braço e saiu a guiando até o carro, ao lado do mesmo, a abraçou. — vai ficar tudo bem Ju.
— não vai Heitor, preciso do emprego, como vou arcar com as despesas da faculdade? como vou ajudar minha irmã em casa?
— eu posso te ajudar, não se preocupe com isso.
— Heitor, não é sua obrigação.
— Júlia...
— você pode me levar pra casa? — ela pediu em meio a lágrimas.
— claro. — ele a libertou do abraço, então abriu a porta do carro para ela, que logo entrou e se encolheu no banco.
Por todo o trajeto até a casa dela, tudo que ela fez foi chorar em silêncio, Heitor estava preocupado, lhe doia vê-la daquela forma, mas não podia fazer muito. Quando enfim chegaram a casa dela, Júlia tinha a cabeça baixa, com o rosto entre as mãos, Heitor direcionou seu olhar a casa, então pôde ver a porta quebrada e vários dos pertences atirados na calçada
— Júlia...sua casa, o que houve? — ele questionou de forma preocupada, ela levantou a cabeça e ao ver a situação, saiu rapidamente do carro. — Júlia, espere, quem fez isso pode ainda estar aí. — ele disse enquanto saiu do carro, mas ela não parou, adentrou na casa, e ele, para protegê-la a acompanhou, então o choque veio, na sala, o sofá inteiramente rasgado, a TV quebrada e a mesinha de centro, em vários cacos. — oh Deus, Júlia, cuidado, tem muitos cacos de vidro. — alertou ele.
— foi ele Heitor, só pode ter sido ele. — ela seguiu para a cozinha, lá também não havia restado nada inteiro, fogão amassado, geladeira quebrada, panelas destruídas, tudo que haviam lutado para conquistar, o que foi para Júlia e para irmã por muito tempo um sonho, a casa própria, mesmo que pequena e humilde, agora estava tudo destruído, em pedaços.
— Júlia, vamos sair daqui, isso não está te fazendo bem. — disse ele de forma preocupada enquanto a via cada vez mais desesperada.
— não Heitor, eu preciso ver o resto da casa. — disse ela, caminhando pelo corredor, viu que nem mesmo o banheiro havia escapado e ao entrar no quarto que dividia com a irmã, se deparou com mais destruição, os colchões rasgados, o guarda roupas e as roupas destruídas, assim como a escrivaninha, ao lado da mesma, uma montanha de papéis, ao ajoelhar ao lado da mesma, se deu conta de que eram seus livros e cadernos da faculdade, livros esses que mesmo usados, haviam custado dois meses de seu salário. — ele destruiu tudo, tudo. — ela disse em desespero, não podendo mais vê-la daquela forma, Heitor a agarrou pelo braço e a puxou fazendo levantar.
— venha Júlia, você precisa se acalmar, isso está te fazendo mal. — ela completamente desnorteada, apenas assentiu, então saiu junto a ele, mas no corredor se depararam com algo que não haviam visto ainda, na parede, uma ameaça pixada "se não ficar comigo, não ficará com mais ninguém, juro" Júlia sentiu suas pernas falharem, mas Heitor a segurou, então a pegou no colo e saiu a levando em direção ao carro.